Cadastre-se para
receber dicas!

O executivo e o líbero

Olá,

Tenho abordado em minhas palestras uma questão polêmica na condução de uma organização sem fins lucrativos: qual o papel do executivo?

É responsabilidade dele assumir as funções de uma diretoria, ou mesmo do presidente, quando os mesmos buscam delegar ou são ausentes? Até onde vai a responsabilidade?

Para responder esta questão recorro à um esporte coletivo que todos conhecem e que tem uma perfeita relação com o tema: o vôlei.

Neste esporte existe a figura do líbero. Aquele jogador que tem o uniforme diferente dos demais. Este está sujeito a um conjunto de regras específicas para a sua função que o difere dos demais: a mais importante é a substituição sem necessidade de autorização do árbitro.

Só de olhar a formação de uma equipe, com o líbero em quadra, já podemos compreender como deve ser uma diretoria: todos os diretores, inclusive o presidente, são aqueles que estão vestidos iguais e seguem uma série de regras comuns e o executivo é o que está junto da equipe de diretoria, mas NÃO é um diretor.

A principal característica do líbero é sua capacidade de recepcionar as bolas jogadas pelos adversários, fazendo com que a mesma chegue até o levantador que prepara a jogada para um ataque.

Na organização é igual: o executivo é o que recepciona todas as demandas que chegam, verifica a importância das mesmas, “arredonda as bolas quadradas” e entrega na mão do presidente que pode fazer o ponto ou envolver um diretor para que isto aconteça (associativismo é compartilhar jogadas e preparar a mesma para aquele voluntário que mais tem chance de converter o ponto à nosso favor).

Uma outra questão importante é que o líbero sai do jogo sempre que necessário. É da característica da sua função, então ele é ao mesmo tempo titular e reserva e não reclama em deixar a quadra. Você já viu um líbero parar para discutir com o técnico antes de ser substituído? Ou olhar com cara feia para o mesmo? Claro que não! Ele sabe seu papel no time.

Assim deve ser um executivo. Quando numa reunião de diretoria, ou com outros dirigentes de entidades, o executivo não senta no melhor lugar, e muitas vezes, se faltar lugar na mesa e chegaram diretores, deve ser o primeiro a levantar e dar lugar à estes. Tem que saber que, apesar de ter trabalhado arduamente para aquela reunião sair, quando é chegado o momento, ele deixa lugar para quem pode concluir a jogada com êxito.

Por último, e talvez o que resuma o papel de um executivo, são raras às vezes que você vê um líbero decidindo um ponto ou um jogo, seja bloqueando ou atacando. Estas funções cabem aos bloqueadores e atacantes, responsáveis pela produção dos pontos que levam a vitória. Assim também é com o executivo: nos momentos-chave, fechamento de uma grande parceria, apresentação dos resultados do mandato ou mesmo atendendo uma pessoa importante para a organização, não cabe a ele estar à frente, mas o presidente ou seus diretores.

Nem por isso o papel de executivo é menos importante. Ele, assim como o líbero, é essencial para o sucesso da organização.

Boa semana,

Luc Pinheiro

DEIXE SEU COMENTÁRIO