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O papel das organizações empresariais associativas e os movimentos contra (ou a favor) o governo

Olá,

Participando das manifestações dos últimos meses como cidadão, ficou a reflexão do papel das organizações empresariais associativas no processo.

Será que elas devem liberar seus membros para participarem contra ou a favor das manifestações, defendendo o direito de livre manifestação, mas mantendo um afastamento, elas mesmas, do processo? Ou será que devem se posicionar, como representantes de seus membros, e liderar o processo (tanto a favor quanto contra – neste caso mais difícil) organizando as pautas e reivindicações.

A primeira opção é a mais simples e fácil de fazer, afinal, numa organização associativa temos diversos pensamentos, uma profusão de ideologias e todos tem o direito de se manifestar, ficando difícil para a organização, ao tomar um lado (contra ou a favor) representar o interesse de todos os associados. Mas não parece se omitir? Num momento em que o Brasil carece de instituições sérias, éticas e responsáveis, não me parece ser a melhor escolha.

Por outro lado, liderar o processo não é nada fácil, face a falta de lideranças claras no processo, a profusão de pautas e o próprio descrédito nas instituições. Pode parecer apenas oportunismo e se não agregar valor ao movimento, atrapalhar quem está tentando liderar.

Talvez a resposta mais simples, mas a mais difícil de implementar seja o de educador do processo. As massas foram as ruas defender muitas das pautas que as organizações empresarias defendem: menos impostos, fim da corrupção, fim da gestão política de empresas (como Petrobrás e outras), porém, a maioria destas pessoas não conhece suficientemente do que está reivindicando e passa a defender ideias que, se levadas a termo, podem comprometer a democracia e até o País: impeachment sem seguir os trâmites legais, cadeia para acusados de corrupção sem direito a ampla defesa,  parlamentarismo (ou volta da realeza) como reforma política e por ai vai.

É preciso que as organizações empresariais associativas invistam tempo e recursos para educar estes “novos” cidadãos, pessoas que saíram as ruas para reivindicar; pessoas que estão indignadas com o processo. Precisam educar a partir de seus associados e ampliar para a toda a sociedade, assim tanto os “a favor” quanto os “contra” terão argumentos para o debate.

Assuntos como reforma política, reforma tributária e gestão pública deverão ser objeto deste processo de educação, num amplo, lento e contínuo processo de educação.

E parafraseando um grande amigo: “É quando estamos cansados de falar, que as pessoas estão começando a entender”.

Luc Pinheiro

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