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Dica de Leitura: Onze anéis, a alma do sucesso

Esta semana li Onze Anéis – a alma do sucesso, de Phill Jackson (Rocco, 2014). E a conclusão é só uma: uma verdadeira obra sobre liderança.

Durante sua histórica carreira como treinador, tanto no Chicago Bulls como no Los Angeles Lakers, Phill Jackson conquistou 11 títulos nacionais (referência no título do livro), mais do que qualquer outro técnico na história deste esporte.

Mas o livro não trata de contar vantagens e descrever táticas vitoriosas de basquete. Mas sobre tudo trata de pessoas. Como o autor (na condição de treinador) lidou (ou tentou lidar) com as diversas personalidades de seus comandados ao longo de sua trajetória.

Teve oportunidade de treinar Jordan, Kobe, Shaq e tantas outras lendas do basquete profissional americano. Lidando com a dificuldade de ter estrelas em sua equipe (e as vezes mais do que uma ao mesmo tempo).

De cada capítulo, é possível tirar uma lição sobre liderança e discorrer sobre o tema por muitas horas. Logo de início, Phill nos diz que “a arte de transformar um grupo de jovens ambiciosos em um time integrado e campeão não é um processo mecanicista. É um misterioso ato de malabarismo que requer não apenas profundo conhecimento das leis consagradas pelo tempo do jogo, mas também coração aberto, mente clara e aquela curiosidade atenta aos caminhos do espírito humano”. Em outras palavras, você não tem a fórmula, tem algumas regras para se basear, mas tem que estar disposto a mudar quando não está dando certo, reconhecer quando erra e principalmente: não ter medo do desconhecido.

Logo no início do livro, o autor fala dos “11 do Phill”, que são os seus 11 princípios para uma boa liderança, o que, em poucas páginas, tornam-se um curso completo sobre liderança. São eles: 1) lidere de dentro pra fora (melhore seu time – não se preocupe tanto com os adversários); 2) banco do ego (liderando pessoas excepcionais, mantenha seu ego no banco, é o melhor para todos); 3) deixe cada jogador descobrir seu destino (não force as pessoas a serem o que não querem ser, cada um encontra posição e ritmo para ajudar a equipe a vencer); 4) a estrada para a liberdade é um lindo sistema (tenha uma estratégia principal que sustente toda a equipe mas não a limite e assegure-se que todos compreendem a mesma); 5) tornar o mundano sagrado (faça sua equipe dar valor a cada atividade – treino, viagens, visitas e não só aos prêmios); 6) uma respiração = uma mente (meditar, reduzir a “velocidade” de vez em quando, permitir que cada um tenha seu espaço faz com todos estejam ligados quando for importante); 7) a chave do sucesso é a compaixão (e ela quebra muitas barreiras, até mesmo com os mais durões); 8) olhe para o espírito e não para o placar (mais importante que táticas é conseguir que seus jogadores se movimentem juntos – isto ganha jogo); 9) as vezes a vara é necessária (você nunca será um líder se tem necessidade de ser amado); 10) no caso de dúvida, não faça nada (as vezes é melhor sentar e olhar, que sua equipe encontrará a solução para o problema); 11) esqueça o anel (concentre-se na jornada e não na meta).

Dois pontos me chamaram muita atenção enquanto devorava avidamente a obra. No primeiro, um argumento de Phill dizendo que, para continuar ganhando é necessário mudar, e mais que mudar é não ter medo de perder ao tentar mudar. Fico pensando quantas vezes, tentando manter o que temos, não conseguimos nos mover para uma posição melhor. Se minha equipe conseguiu um excelente resultado no ano que passou usando determinadas estratégicas e táticas, por que mudar? E se não der certo? Pelo menos temos a desculpa de que o que mudou foi o mundo e por isso perdemos. O autor vai mais longe, diz que só os vencedores não tem medo do desconhecido, e mais, se jogam loucamente em direção ao mesmo, com a mesma vontade que o fizeram no ano anterior, quando não tinha nada (nem resultados, nem sucesso) e, portanto, ainda ávidos.

“Corte lenha, carregue água, comemore, corte lenha, carregue água”, é a frase que Phill usa para nos explicar este ponto. Baseado no budismo e na condição de mutabilidade do mundo, o autor nos faz perceber que tudo muda, o tempo todo. Assim, aquela formação (equipe), aqueles adversários (concorrentes), aquele campeonato (mercado) nunca voltará. Assim, após comemorar um bom ano, comece imediatamente a treinar para o próximo, sem desvios e sem saudosismos.

O segundo ponto parte da frase uma citação de Gabriel Garcia Marquez, que tem destaque no livro: “Os seres humanos não nascem e uma vez no dia em que as mães os dão à luz, mas… a vida os obriga repetidas vezes a dar à luz a si mesmos”. A reflexão aqui está intimamente ligada com ao ponto anterior. Pois, se o mundo muda constantemente, estaremos em provação o tempo todo. Muitas vezes vamos nos defrontar com situações que nos destruirão quase que por completo, e precisaremos renascer. Não estamos falando em equipe, mas indivíduos, assim, um líder deve estar atento a cada um dos seus liderados para perceber este momento e intervir o mínimo possível. Isto mesmo! Phil acredita que interferir atrapalha o desenvolvimento do indivíduo, e como líderes devemos apenas entrar em sintonia (seguir a vibração) dos nossos liderados que as “coisas” se resolvem.

E para coroar o pensamento, Phill nos traz uma passagem do Tao Te Ching, que se aplica a liderança:

Só tenho três coisas a ensinar:

simplicidade, paciência, compaixão.

São os três maiores tesouros.

Simples nas ações e nos pensamentos,

você retorna à fonte do ser.

Paciente com os amigos e inimigos,

você aceita as coisas do jeito que são.

Compassivo em relação a si mesmo,

você reconcilia todos os seres do mundo.

Uma boa reflexão sobre liderança para começar o ano.

Fraternalmente,

Luc Pinheiro

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