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Plano de Mandato de Sucesso

Olá Líderes,

Independentemente de seu mandato ser de um ano, dois, três ou cinco, você precisa de um plano de mandato.

Como uma espécie de planejamento estratégico de curto prazo, esse plano deve ter quatro etapas: preparar-se para o mandato, gerar superávit, realizar grandes feitos e colher os louros.

A experiência de vários anos assessorando presidentes no processo de estabelecer um bom plano de mandato mostrou-me que essa é uma fórmula de bastante sucesso. Novamente não importa o tempo do mandato: se for de dois anos, cada etapa corresponderá a um semestre, se for de quatro, corresponderá a um ano.

Mas de que se compõe cada etapa?

Resumidamente, compõe-se do seguinte:

  • Etapa 1 – Preparar-se para o mandato: começa com o plano de curtíssimo prazo para os primeiros 90 dias de mandato, no qual você deve prever a execução de ações concretas e de forte visibilidade para demonstrar que chegou e já está trabalhando. Aproveite este tempo para conhecer a realidade da organização (ou á responsabilidades do cargo), principalmente as de representatividade e ações. Estabeleça relacionamentos institucionais, ou seja, mostre que você já é dirigente para outros dirigentes e representantes da sociedade. Mas só isso é pouco: após os primeiros 90 dias concentre-se em elaborar seu plano estratégico mais detalhado, capacitando as equipes, promovendo reestruturações administrativas e financeiras e, por último, investindo em infraestrutura.
  • Etapa 2 – Gerar Superávit: esse é o momento de implantar ações visando sempre p aumento de receitas e a redução de despesas, como controle orçamentário, combate a desperdícios e aumento de arrecadação. Não convém fazer logo ao início do mandato porque normalmente são ações desagradáveis e acabam mexendo com regalias conquistadas ao longo do tempo por algumas pessoas. Por isso, é melhor esperar até que se tenha uma boa ideia de como funciona a organização. Também não se deve deixar para o final do mandato, porque senão você será lembrado apenas pelo jeito sovina de ser. Ah! E também programe algumas ações de impacto para esse momento do mandato, de preferência aquelas que não geram déficit. E não esqueça do capital sócia; aproveite o tempo para buscar solidificar relacionamentos, apoios e agenda convergente entre a sua organização e as demais, ou seja, fortaleça os laços com as pessoas.
  • Etapa 3 – Realizar grandes feitos: nesse momento de seu mandato coloque em funcionamento os grandes projetos e ações que fazem parte de seu plano. É o equivalente, no mandato público, a ”por as máquinas na rua”. Também é agora que você fará concessões para os associados/beneficiados, desenvolvendo ações voltadas a eles. Um dirigente que conheci certa vez disse que este é o período de fazer a melhor festa para os associados.
  • Etapa 4 – Colher os louros: perto do final do mandato você deve buscar consolidar os projetos e ações, ou seja, monitorar indicadores de resultado, focar nos seus objetivos e garantir o sucesso. Também é momento de publicar o dossiê de realizações e realizar eventos institucionais para apresentar resultados. Aqui, também é importante ter algum novo projeto para executar, mas dê preferência para aquele com menor duração, pois precisará terminá-lo antes de sair de cena. E caso você queira continuar, é hora de arregimentar apoio para um segundo mandato.

Como construir um plano de mandato?

Para construir um bom plano de mandato é necessário apenas seguir uma regra: atender as necessidades de associados, mantenedores, beneficiários, comunidade, diretores, enfim de todos os stakeholders da organização.

Começar mal é estabelecer um plano baseado no que você acha importante para a organização. Pode ser até que tenha razão, mas se não é prioridade para o grupo que representa, então é melhor não fazer.

Inicie conversando com as pessoas que interagem com a organização. Lembre-se da estrutura de poder. Assim, não ouça só o grupo de maior poder econômico, ouça também a minoria, barulhenta ou não. Conversar com todos lhe dará uma boa ideia da complexidade de necessidades e o ajudará na elaboração de um plano que, se não atender a todos, pelo menos evitará que você defenda um único ponto de vista. Posição esta, que poderá criar adversários ao seu governo. Porém, perguntar diretamente não é a melhor estratégia. As pessoas sempre tendem a responder o que você quer ouvir e não a verdade. E não me pergunte qual a razão disso.

Você deve procurar fazer perguntas gerais, do tipo: O que faltou na administração passada? O que faria uma organização deste porte ser reconhecida como de sucesso? Etc.

Depois de coletar informações, elabore o seu plano, contemplando sempre ações em prol do beneficiário, seja ele associado, usuário, ou demais pessoas que tenham relação com a organização. Além, é claro, de incluir ações para a gestão administrativo-financeira.

Numa organização sempre existe o que melhorar, já que nada é perfeito. Por fim, pense nos colaboradores, sem eles você não conseguirá realizar uma vírgula do seu plano de mandato.

Mas se está pensando em fazer um plano muito extenso, esqueça! Uma vez que, em seu discurso de posse, você passar da décima ação ninguém irá recordar da primeira. Então, concentre-se em três a cinco ações expressivas e uma grande bandeira para o mandato todo. Minha experiência mostra que esta forma de atuar mantém o foco concentrado e leva a um reconhecimento maior por todos.

Importante: a grande bandeira deve ser o desejo da maioria dos envolvidos na organização. Já vi muito dirigente sofrer um verdadeiro martírio no seu mandato por ter escolhido a bandeira errada para defender. Era só ele quem a defendia e nunca tinha apoio para nada, mas como alardeou durante muito tempo que assim o faria, tinha medo de mudar de opinião e ser cobrado por não cumprir o prometido.

Excelente trabalho,

Luc Pinheiro

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