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Populistas e Republicanos

Olá Líder Voluntário,

Você deve ter estranhado o tema para um site onde o foco é a participação da sociedade civil organizada na representação dos interesses de um grupo, ou, na forma que eu gosto: associativismo voluntário.

Mas, lhe digo: nada mais atual! E por que?

Porque temos algumas coisas a aprender com o momento político de nosso País e transferir aprendizados (principalmente do que não fazer) para nossas associações voluntárias.

Num Brasil onde não cabe mais a discussão sobre esquerda ou direita, pois não é o campo das ideias que nos interessa agora, mas a natureza das ações das pessoas, uma avaliação mais acurada das decisões pode nos ensinar muito.

Quando líderes agem pensando na sua aceitação junto aos liderados (ou na próxima eleição) e tomam decisões que trazem benefício imediato nestes pontos mas comprometem de sobremaneira o futuro (ou no mínimo não se preocupam com o impacto de suas ações no futuro), temos a chamada “atuação populista”. Quando o governo gasta em demasia com propaganda para se auto promover, ou oferece reajustes de auxílios e bolsas sem o devido contingenciamento orçamentário, são bons exemplos desta postura.

Por outro lado, quando líderes agem pensando nas futuras gerações, tomando decisões difíceis no momento presente (remédio ruim diz o dito popular) ou promovem mudanças profundas que afetam grupos (inclusive daqueles que o elegeram), dizemos que temos uma “atuação republicana”. Assim, quando um governo corta ministérios (e os cargos comissionados de seus aliados); propõe reformas fiscais (que tira benefício dos que o elegeram) e por ai vai…temos exemplos de atuação republicana.

Mas o papo não é sobre governo, mas sobre líderes voluntários. E aqui que as coisas podem ser mais parecidas do que parecem.

Líderes voluntários de associações, fundações, cooperativas (e mais uma centena de denominações para entidades sem fins de lucro) são eleitos pelos seus pares (ou uma parte deles), tem mandato (muitos podem concorrer a reeleição), se tornam figuras públicas (tem sua imagem exposta e julgada por pessoas da sociedade)…. é uma grande semelhança com mandatos no executivo e legislativo.

E esta semelhança pode fazer com que ele tome atitudes mais populistas que republicanas.

Assim, quando um presidente decide construir uma sede nova, bonita e ostentosa, mas não se preocupa em como seus sucessores vão pagar ou manter o “elefante branco”; quando não assume uma posição sobre o necessário aumento de mensalidades para sustentar os projetos ou a redução do quadro de pessoal da organização para fazer frente as perdas de receitas apenas para não ser taxado de “sem coração”; quando não “enquadra” um associado que age fora dos princípios da organização porque este o ajudou na eleição; quando tem a oportunidade de promover mudanças em como as pessoas enxergam o papel de sua entidade com postura, opiniões e ações contundentes de combate a corrupção, apoio claros a representantes do interesse de sua organização, dizendo que não quer o conflito…bom, a lista é extensa, mas você entendeu meu ponto de vista.

Líderes assumem para promover mudanças que possam perdurar. Buscam incessantemente por um propósito (lutam por uma bandeira), conduzem todos para um futuro melhor (mesmo que o presente seja difícil). Pensam não em si, mas nas pessoas que possa impactar, nos filhos e netos destas pessoas. Muitas vezes não serão unanimidade, serão criticados (e boicotados), mas tem convicção que estão no caminho certo.

Lembremos de Thomas Paine: “Se é preciso haver problemas, que seja na minha época, para que meus filhos tenham paz”.

O Brasil precisa muito de republicanos. Sejamos republicanos nas nossas entidades!

Fraternalmente,

Luc Pinheiro

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